É, amigos, definitivamente a campanha eleitoral de 2012 já começou. O Datafolha fez, nessa semana, a primeira pesquisa de intenção de votos para as eleições (ao menos, a primeira oficial) para a disputa da Prefeitura paulistana.
Os dados são importantes em um momento onde todos os principais envolvidos na questão ainda não sabem o que fazer: PSDB – e, a reboque se José Serra for candidato, PSD e DEM – e PT não definiram nada. O PT, aliás, está em pé de guerra. No tucanato, os figurões, como o próprio Serra e o senador Aloysio Nunes, não querem disputar.
Mas, mesmo nesse balaio (são oito cenários, e nenhum deles inclui alguns pré-candidatos como Andrea Matarazzo, do PSDB, e Rodrigo Garcia, do DEM), a pesquisa traz algumas nuances importantes. A primeira deve ser evidente. Marta só lidera com tanta folga por causa do recall. De tanto disputar eleições majoritárias (figurou em 1998, 2000, 2004, 2008 e 2010), se tornou uma espécie de “Maluf de saias”, no sentido de disputar todas que vier. Com isso, é conhecida.
Nesse sentido, os apoiadores da candidatura de Fernando Haddad, ministro da Educação, não devem ficar tão desesperados com os 2%. Ele sendo candidato e tendo um bom tempo de TV, pode alavancar.
E é um player novo em um mercado com tantas figuras carimbadas. No entanto, isso pode acontecer com vários nomes: Gabriel Chalita (esse com o maior potencial de crescimento), Paulinho da Força, Rodrigo Garcia e o nome do PSDB (Bruno Covas ou José Aníbal , que tem 4% e 6%, e Matarazzo).
Mas Haddad teria o apoio de Lula. E Lula, ainda hoje, é o nome, segundo a pesquisa, que mais poderia influenciar o eleitor. Nisso, diga-se, Geraldo Alckmin também não vai mal, e pode alavancar o candidato tucano – principalmente se for Covas, que tem a força óbvia do sobrenome.
Também me espanta a rejeição alta a José Serra, na faixa dos 30% – empatada com Marta. Ainda que não espetacular, o ex-governador teve um bom desempenho na capital paulista, venceu nos dois turnos. Me parece que as tensões da campanha e os erros que cometeu acabaram deixando o tucano menor do que entrou na disputa. Talvez isso explique.
Obs: não acredito nessa história de “1/3 anti-PT, 1/3 petista e 1/3 independente”. Claro que estes grupos são importantes, mas vejo mais independentes e menos partidários. Seria resumir a algo muito pequeno a maior cidade da América Latina, complexa demais.
Russomano e Netinho de Paula têm na pesquisa o que tiveram ao longo de toda a campanha de 2010, para o governo e o Senado. Resta saber se os dois, que são bons de TV, vão manter o fôlego.
Outro ponto, talvez o mais importante: a rejeição a Kassab chega a níveis quase “celsopítticos”. O prefeito tem apenas 24% de ótimo+bom, e amarga 42% de ruim+péssimo. 17% dos eleitores votariam em um candidato apoiado por ele; mas 38% deixariam de votar. A situação de Kassab, que se arvora na criação do PSD e na aproximação do governo federal, é muito ruim. E certamente trará conseqüências eleitorais. Com esses dados, uma candidatura ao governo do Estado em 2014 fica muito complicada.
Por fim, destaca-se isso: a grande rejeição a Kassab e, de resto, um jogo totalmente aberto. Pode dar até candidato do PSTU nessa peleja. (Obs: não, nem tanto, né?)
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